Encosto a cabeça no travesseiro, a luz da lua penetra pela
janela, somente o vazio do meu quarto me faz Companhia agora. Uma lagrima
triste escorre pelo meu rosto querendo fazer morada em minha boca, outras a
acompanham e seguem rumo ao meu travesseiro que depois de tantas lagrimas está
todo encharcado. Em minha mente vem apenas a tua imagem, relembro dos momentos
em que passamos juntos, do seu sorriso, do seu toque, lembro também das suas
palavras me dizendo que fui ignorante, me dizendo que sou boba. A dor do meu
peito é indescritível, não sei o que fazer apenas aperto meus olhos contra o
travesseiro para tentar apartar as mágoas que se fazem presente em mim. Um
silêncio invade minha mente, meu peito esta mais apertado do que nunca. Quero
terminar com ele, mas não sei como, quando chega na hora as palavras somem,
fico confusa e já não tenho mais certeza de nada, e se for apenas coisa da
minha cabeça, e se ele ainda me ama... De tanto chorar e soluçar eu peguei no
sono.
Já é manhã, o sol não
brilha tanto, ou melhor, nem tem sol pois as nuvens esconderam ele de mim, eu
preferia a lua que se fazia presente nesta noite. o vento frio do inverno
machuca meu rosto branco que de tanto ventar agora se faz de um rosa bem claro.
na minha bolsa apenas o celular e algumas coisinhas, mas no
meu coração uma tormenta que me angustia a cada momento com a duvida do que
fazer daqui a diante.
Entro no ônibus, agradeço por ter um lugar vazio para eu
poder sentar, e bem do lado da janela. Dentro do ônibus as pessoas começam a se
apertar, as que estão sentadas não ligam. Uma senhora entra, tem uma
jovem no lugar reservado e que agora finge dormir, a senhora cutuca a jovem mas ela nem liga, então a senhora resolve pedir com sua voz rouca e desgastada
pelo tempo - Licença, eu poderia me sentar, é que eu estou velha e cansada,
já não consigo ficar muito tempo em pé.- a garota que estava sentada levanta
reclamando e enquanto a velhinha se sentava a garota cuspiu algumas palavras -
Esses velhos não prestam para nada mesmo, só para atrapalhar nossas vidas.- A
senhora ouviu, mas não quis responder, e com um olhar de tristeza quase deixando
escapar uma lagrima ela abaixa a cabeça e tira da bolsa um terço, onde começa a
rezar. a viajem prossegue, na rua não é muito diferente, nas calçadas e praças
corpos estão jogados, como se fossem animais brigando com ratos e cachorros por
um pedaço de alimento que já estava deteriorado e que as moscas se
banqueteavam. Pessoas pedindo um pouco de comida, de dinheiro, de amor, de
carinho ou de apenas um abraço, mas que abraçaria um mendigo...
(continua...)






